Você já sentiu que é intensa demais e não consegue lidar com as suas emoções, pensamentos e comportamentos? Não se sinta sozinha, eu também já me senti assim e depois de anos de cuidado e conhecimento ainda continuo no processo de aprender sobre como lidar comigo mesma. Muitas mulheres como nós se sentem erradas e ficam procurando diagnósticos para justificar sua complexidade. Claro, que precisamos separar o que é saudável do que é patológico, mas não podemos determinar o nosso funcionamento apenas como disfuncional sem parar para avaliar toda a nossa complexidade e inteireza.
Por esse motivo, eu criei esse espaço para mulheres que sentem a vida profundamente e que estão aprendendo, pouco a pouco, a voltar para si, para olharmos para isso de maneira mais profunda e complexa.
Antes de aprofundarmos, eu te convido a fazer uma pequena pausa.
Se puder, respire um pouco mais devagar por um instante.
E perceba como você chega aqui agora.
Esse é um espaço para voltarmos, pouco a pouco, para dentro de nós mesmas.
Se você é essa mulher que sente tudo profundamente, seria importante criar o hábito de sempre pausar e voltar pro seu corpo, sair do burburinho de muito exagero sensorial e de pensamento acelerado.
Pode ser que você nunca tenha ouvido falar algo positivo sobre mulheres profundas, sensíveis e intensas. Mas, mulheres assim existem e são estudadas por diversos estudiosos do comportamento humano, de diversos ângulos, enaltecendo suas qualidades e enxergando suas fragilidades. São mulheres que não conseguem simplesmente seguir em frente depois de uma experiência difícil.
Elas precisam de tempo para entender, refletir e dar sentido ao que viveram e sentir profundamente.
Muitas vezes ouviram que sentem demais e que isso é um excesso, mas excesso é quando o que não é cuidado se torna adoecedor. Na verdade, chamamos isso de profundidade, uma forma de perceber a vida, as emoções e as relações com mais intensidade.
Eu escolhi trabalhar com essas mulheres porque eu sou uma dessas mulheres. Eu me reconheço nesse lugar de viver profunda e intensamente as minhas emoções, os meus pensamentos e aquilo que faz sentido para mim.
Foi justamente por viver isso que eu escolhi trabalhar com essas mulheres, que eu chamo de mulheres de raízes profundas. Mulheres que mergulham um pouco mais fundo, que dão importância para aquilo que faz sentido e que têm uma sensibilidade maior para perceber a própria experiência.
Essa sensibilidade pode aparecer de várias formas: na maneira de sentir as emoções, na forma de perceber o ambiente, nas sensações do corpo, nas reflexões internas e na busca de sentido para aquilo que se vive.
Eu não quero aqui tratar de porquês ou causas específicas, ou de diagnósticos que expliquem por que cada mulher é assim. Mas, eu quero contar como existem muitas possibilidades diferentes para isso.
Hoje nós sabemos, inclusive dentro da psicologia e das pesquisas sobre personalidade, que algumas pessoas realmente apresentam uma sensibilidade maior aos estímulos emocionais, internos e sensoriais.
Em alguns casos isso aparece em pessoas com alta sensibilidade, em pessoas com altas habilidades, em pessoas que passaram por experiências de vida muito intensas, traumáticas ou que desenvolveram uma percepção emocional mais profunda ao longo da vida.
Também existem traços de personalidade que fazem com que algumas pessoas tenham uma tendência maior a refletir profundamente sobre a vida, buscar significado nas experiências e perceber o mundo interno de forma mais intensa.
Mas independentemente da origem específica de cada história, muitas mulheres compartilham essa experiência de sentir profundamente, de se afetar mais com aquilo que vivem e de buscar compreender o sentido das suas emoções, das suas relações e da própria vida.
O que eu quero dizer é que todas as mulheres que se reconhecem nessa forma intensa e profunda de sentir podem e devem se sentir livres para ser quem são.
Antes de ser psicóloga, eu fui uma mulher que sentia profundamente, mas que não entendia como esse funcionamento acontecia dentro de mim. Eu não entendia como lidar com essas emoções, com as sensações físicas, com essa percepção mais intensa do que acontecia dentro e fora de mim.
Nesse processo, muitas vezes eu me perdi nas minhas próprias emoções, nos meus sintomas físicos, nas minhas percepções, pensamentos e intuições. E por não entender, por não compreender, por não me conhecer, fui me adaptando, fui me diminuindo e tentando me controlar para caber em espaços onde eu não me sentia pertencente.
Muitas vezes eu me senti exagerada, como se eu fosse demais. E em muitos momentos eu não sabia como sustentar o que eu sentia, como expressar o que estava acontecendo dentro de mim e como lidar com toda essa complexidade emocional e ainda continuo aprendendo.
Com o tempo, fui entendendo que o problema não era sentir assim. O problema era não ter aprendido a sustentar esse sentir, não ter espaço para expressar isso, não ter linguagem para compreender o que acontecia dentro de mim e não usar os recursos necessários para me autorregular ou saber quando procurar corregulação.
Foi nesse caminho que eu encontrei a psicologia, primeiro no meu próprio processo terapêutico e depois nos estudos. E foi dentro da abordagem de Carl Jung que eu encontrei uma forma de dar sentido a esse mundo interno tão intenso, simbólico e profundo.
A psicologia analítica me ajudou a compreender a importância das imagens internas, dos sonhos, dos símbolos, do contato com o corpo e de tudo aquilo que faz parte da vida psíquica.Hoje eu acompanho mulheres que vivem processos muito parecidos.
Mulheres que sentem profundamente muitas vezes chegam até mim atravessando crises, mudanças, sobrecarga emocional ou momentos de busca de sentido. Muitas vezes essas mulheres chegam nesse momento da vida sentindo culpa, vergonha ou até a sensação de que existe algo errado com elas. Porque durante muito tempo aprenderam a silenciar partes de si para conseguir pertencer. Reprimir desejos, diminuir emoções, evitar julgamento.
Mas chega um momento em que esse modo de viver começa a não se sustentar mais.
Surge então uma sensação muito profunda de não pertencimento.
A tristeza de perceber que aquilo que antes parecia funcionar já não faz mais sentido.
E muitas mulheres descrevem exatamente isso: a solidão de quem percebe que precisa começar a escolher o próprio caminho. A insegurança de escolher por si, o medo do julgamento, o medo de perder relações. Esse momento muitas vezes marca o início de uma travessia interior.
A terapeuta Maureen Murdock descreveu algo muito parecido no que ela chamou de Jornada da Heroína, um processo em que a mulher começa a questionar os papéis que sustentava e inicia um caminho de retorno para si mesma.
E esse retorno para si não acontece de um dia para o outro. Ele começa quando a mulher passa a se escutar. Quando começa a honrar aquilo que sente. Quando começa a buscar outras mulheres que também estão nesse caminho. Porque continuar silenciando a si mesma por culpa ou vergonha também pode ser uma forma de trair a própria verdade.
E escolher por si é um ato profundo. Escolher por si é muitas vezes o primeiro passo para voltar para si. E ver o desejo dessas mulheres de se reencontrar, de se compreender e de viver com mais verdade também fortalece em mim esse mesmo movimento de continuar me conhecendo e vivendo com mais saúde.
Então esse espaço de trabalho com mulheres intensas, sensíveis e profundas nasceu desse lugar que também é meu. Não é alguém olhando de fora, é alguém que conhece esse lugar por dentro. E se você se reconhece nisso, talvez você também seja uma mulher de raízes profundas, talvez esse espaço também seja para você.
É importante buscar ajuda para entender nossos limites emocionais e nossas necessidades.
E sim, é essencial abandonar o julgamento sobre si mesma, compreender o que está saudável e o que não, para se permitir viver. Ser uma pessoa intensa, sensível e que busca sentido na vida não é uma doença, é uma forma de estar no mundo. O que pode se tornar adoecedor não é sentir profundamente. O que pode adoecer é não se conhecer, não se compreender e não ter recursos para lidar com tudo isso que se sente.
Então a pergunta não é como deixar de ser intensa. A pergunta é: como viver de forma saudável sendo quem somos? Um primeiro passo é aceitar que tudo aquilo que sentimos faz parte da nossa experiência e merece ser ouvido. Ao contrário do que muitas vezes aprendemos, não precisamos controlar tudo o que sentimos.
Precisamos aprender a escutar e a manejar o que sentimos. Escutar e usar recursos para compreender e regular as emoções, as sensações do corpo, os pensamentos, as imagens que aparecem nos sonhos, as intuições, os padrões que se repetem nas relações.
Muitas vezes não fomos ensinadas a olhar para tudo isso como sinais da nossa vida psíquica e muito menos como usar recursos para lidarmos no dia a dia.
Mas quando aprendemos a olhar para essas experiências internas com curiosidade e respeito, elas começam a fazer sentido.
E quando começamos a praticar o manejo de tudo isso, vamos encontrando caminhos mais leves. Por isso, o meu convite aqui é que você possa sentir, conversar e aprender recursos para manejar aquilo que chega até você. Nomear emoções, observar suas sensações, perceber os padrões da sua vida e começar a lidar com o todo complexo que você é. Não existe vida saudável quando tentamos negar quem somos. Quando corremos das emoções, quando evitamos a tristeza, quando tentamos controlar tudo o tempo inteiro, isso geralmente aumenta ainda mais a ansiedade e o sofrimento.
Na minha experiência como mulher e como psicóloga, não existe outro caminho além de olhar para dentro com cuidado e com apoio quando necessário para aprendermos novos jeitos de lidar conosco mesmas. É nesse processo de sentir, compreender, simbolizar e lidar com nossas experiências que vamos encontrando mais segurança interna. Essa segurança não significa que nunca teremos conflitos ou emoções difíceis, significa que aprendemos a atravessar esses momentos. É por isso que eu gosto de dizer que o meu papel é o de ser uma guardiã de travessias. Alguém que caminha ao lado quando você ainda não consegue atravessar sozinha. E que te ajuda a aprender a sustentar essas travessias da vida. Travessias que às vezes são difíceis, profundas e intensas, mas que também podem trazer crescimento, significado e transformação.
Ser uma mulher sensível, profunda e intensa também pode ser uma forma de viver a vida com mais presença e mais verdade. Porque a vida é feita de ciclos. Ela inclui alegria, tristeza, dúvidas, descobertas, luz e sombra. E ser inteira é poder reconhecer todas essas partes. Por isso, eu te convido a estar comigo nesses espaços de reflexão e prática, nos círculos de mulheres, nos processos terapêuticos e em todos os lugares onde possamos aprender a nos escutar e lidar com nossa profundidade com mais verdade. Para que você possa sustentar quem você é. Inteira. Do jeitinho que você é.
É um prazer te receber aqui.
Espero te reencontrar sempre.
Os meus canais estão sempre abertos para você conversar comigo, trocar ideias e fazer perguntas.
Até a próxima
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Referências
ARON, Elaine N. The Highly Sensitive Person: How to Thrive When the World Overwhelms You. New York: Kensington Publishing, 1996.
Disponível em: https://hsperson.com/books/the-highly-sensitive-person/�
JUNG, Carl Gustav. Psicologia analítica e teoria do inconsciente coletivo.
Disponível em: https://www.britannica.com/biography/Carl-Jung�
MURDOCK, Maureen. A jornada da heroína: a busca da mulher para se reconectar com o feminino. Tradução de Sandra Trabucco Valenzuela. 1. ed. São Paulo: Sextante, 2022.
Disponível em: https://www.maureenmurdock.com�



